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Broken Age: The Complete Adventure

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#1 Broken Age: The Complete Adventure em Dom Maio 17, 2015 7:14 pm

TiagoD.

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"Broken Age: The Complete Adventure" é uma aventura do tipo point 'n click dirigida pelo renomado produtor Tim Schaffer e produzido pela sua equipe talentosa na Double Fine Productions.

O game é, na verdade, a junção de dois atos. O primeiro foi lançado em janeiro do ano passado e o segundo só chega agora para completar o pacote e alegrar os fãs de um gênero praticamente esquecido hoje em dia, mas que ainda consegue ser relevante e divertir muito com sua mecânica simplista e narrativa densa.

Abaixo você confere a análise de "Broken Age: The Complete Adventure", baseada na versão para Playstation 4. O game também está disponível para PC e PS Vita.


Duas realidades excêntricas que se entrelaçam de forma inteligente

A história de "Broken Age: The Complete Adventure" gira em torno dos adolescentes Vella Tartine e Shay Volta. Vella é uma garota que vive em um pacato vilarejo que, de tempos em tempos, seleciona as habitantes mais bonitas e para oferecer, em sacrifício, seus corpos à Mog Chotra, um gigantesco alienígena, em troca de orgulho e a garantia de sobrevivência das pessoas. Já Shay é um garoto que vive numa espaçonave e vive cumprindo ordens de seus pais robôs falsos que, na verdade, são um único computador que controla todo o complexo espacial. Como se vê, suas realidades são completamente diferentes, assim como suas rotinas, afazeres e objetivos.

Muito carismáticos, bem humorados e com personalidades bem definidas, Vella e Shay estão cansados de apenas seguir ordens e começam a questionar todas as regras aos seus arredores. Essa é a motivação principal do enredo e o jogador é constantemente levado a pensar junto não apenas nos porquês de ambos os personagens, mas também da sua própria vida fora dos games. E isso é mostrado com acontecimentos e reviravoltas que frequentemente questionam alguns dos valores mais básicos da conduta humana, do tipo que "até que ponto eu deveria tomar alguma decisão sem que isso julgasse o outro e/ou o colocasse em risco?", para citar apenas um exemplo.


Como acontece em todo adventure point 'n click, a história é a base que conecta o jogador espectador do jogador que vai interagir com uma série de personagens elementos. Em "Broken Age: The Complete Adventure", não é diferente. Você é exposto a vários momentos que surpreendem e que causam boa surpresa pelo inesperado ser, de fato, consumado. O ápice é de fato, o final do o Ato 1, cujas realidades de Shay e Vella se conectam de forma muito bem bolada, criativa e entrelaçada. E, a partir disso, seus mundos trocam de padrão, expondo-os a uma vida que nunca antes experimentaram e que nem mesmo sabiam da existência. O Ato 2 mostra esse intercâmbio de realidades e, embora não seja tão impactante, ainda tem um final consideravelmente decente. Vale MUITO apena jogar só para conferir o desenrolar da narrativa.


Point 'n click na sua forma mais clássica, acessível e divertida

Na jogabilidade, "Broken Age" usa as clássicas mecânicas de adventures do tipo point 'n click. Isso ignifica que você deve mover um cursor pela tela e apertar um botão de ação para movimentar os personagens, interagir com diversos elementos dos cenários, coletar itens e usá-los nos momentos certos. E, claro, os tradicionais quebra-cabeças do gênero também marcam forte presença, sempre variando em níveis de complexidade, ora sendo bem tranquilos de sacar suas soluções e ora sendo bem menos óbvios e mais desafiantes de perceber.

É aqui que "Broken Age" mostra sua magia e se diferencia dos outros game do gênero por ser uma aventura bem mais acessível, o que não quer dizer que ela seja muito fácil ou menos desafiante. Muito pelo contrário: é comum gastar alguns minutos raciocinando as possibilidades de resolução ou tentar enxergar lógicas que relacionem os itens já obtidos com os personagens já conhecidos e vice-versa.

Mas você raramente fica perdido ou isolado, pois costuma receber pistas do que deve ser feito na sequência. Não é nada descarado ou gratuito a ponto de comprometer a sensação de descoberta e a diversão geral, mas elas aprecem com dicas que surgem no comportamento dos personagens, nas suas falas e atitudes, resultando numa experiência mais fluida e menos engessada. Algo diferente, por exemplo, do clássico "Grim Fandango", que tinha alguns trechos aleatórios que causavam frustração simplesmente por não terem um único indício sequer do que era preciso ser feito para progredir.

Outra característica típica no gênero são as indas e vindas pelos cenários. Como você precisa conversar e interagir com todos os personagens e elementos espalhados pelos ambientes, explorar cada cantinho é primordial para se dar bem. Muitas vezes, um item obtido em determinado momento só será usado numa parte no outro extremo do "mapa" ou, ainda, num trecho específico bem mais a frente na aventura. Isso força o jogador a visitar constantemente todas as áreas para saber se encontrou o item certo e, então, usá-lo no local (ou personagem) correto.







Embora isso aconteça com frequência, não chega a ficar cansativo porque, além dos puzzles já serem naturalmente mais acessíveis, o design de fases, criativo, inteligente e dividido sabiamente em trechos verticais e horizontais, é atrativo à exploração, quase sempre apresentando alguma novidade que por ventura possa ter passado batida na primeira visita. Por isso, se você deixou algum item para trás, não é porque ele não estava ali, mas sim porque por você não explorou ou interagiu o suficiente.


Pinturas animadas e músicas incríveis

Outro destaque nos dois atos de "Broken Age" são os gráficos. No oposto da proposta realista dos games modernos e inseridos numa temática fantasiosa, os cenários, os personagens e os itens parecem desenhados e pintados à mão, com traçados únicos e cores muito bem empregadas. As animações de movimento são excelentes e as expressões faciais dos personagens são fieis e refletem bem o estado de espírito de cada um deles. Os ambientes têm profundidade, são bem coloridos (sem exageros) e cada um deles tem elementos próprios que evitam o cansaço pela repetição visual. As texturas também são ótimas. O resultado, claro, aparece melhor quando jogado numa tela grande (PS4 ou PC) do que se jogado numa tela pequena (PS Vita).

O áudio também merece muitos elogios. A trilha sonora é sensacional e costuma grudar na cabeça, sempre encaixando com a temática e ajudando a contextualizar o que acontece na tela. Gerar imersão e simples ato de envolver são dois dos seus papeis mais fundamentais e que logo são cumpridos desde os primeiros segundos de aventura, algo que muitos jogos nem chegam perto de conseguir. Não tem como não gostar. O mesmo acontece com as dublagens: embora não haja qualquer localização em português brasileiro - e só isso já afastaria muita gente de experimentar - as vozes e as interpretações dos personagens são exatas, precisas e extremamente carismáticas.

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